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09/12/2019| Zonas verdes em redor das escolas urbanas afetam o sistema nervoso autónomo

 



 

A diferença encontrada pode estar associada a alterações na atividade do sistema nervoso autónomo, segundo um estudo, publicado na Scientific Reports, que contou com a participação de investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP).
“Com este trabalho, quisemos perceber de que forma é que o ambiente exterior influencia a função pulmonar das crianças e a atividade do seu sistema nervoso autónomo, o qual regula muitas das funções das vias aéreas”, explica a Dr.ª Inês Paciência, primeira autora do estudo, coordenado pelo investigador do ISPUP, o Prof. Doutor André Moreira.
“Optámos por avaliar a influência dos espaços existentes ao redor das escolas na função pulmonar das crianças, uma vez que estas passam a maior parte do seu tempo dentro ou perto do recinto escolar”, acrescenta.
Os investigadores avaliaram a saúde respiratória de 701 crianças, que frequentavam os 3º e 4º anos de ensino, de 20 escolas primárias da cidade do Porto, através da aplicação de um questionário e de avaliações físicas e clínicas.
O espaço em redor das escolas foi analisado, sendo consideradas para estudo as áreas que se localizavam a uma distância de 500 metros de cada escola.
Foi possível verificar que as zonas com mais espaços verdes têm um efeito positivo na função pulmonar das crianças e que esse efeito pode ser mediado pelo sistema nervoso autónomo. “Constatámos também que a maior exposição a espaços construídos está associada a alterações no sistema nervoso parassimpático das crianças, o que, por sua vez, pode conduzir a uma diminuição da sua função respiratória”, refere.
Para Inês Paciência, este artigo vem sublinhar a importância de se promover “a construção de áreas verdes ao redor das escolas”. Segundo a autora, estas áreas “podem estar associadas a uma diminuição dos riscos que advêm da exposição a ambientes urbanos. Trata-se, no fundo, de uma forma de prevenir a doença, com vista a alcançar ganhos futuros em saúde”.
Na investigação participaram também a Faculdade de Medicina da U.Porto, o INEGI, a Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da U.Porto, o I3S, o INEB, a Fundação Oswaldo Cruz, o INSA, e a Universidade de Helsínquia.
O estudo foi desenvolvido ao abrigo do projeto ARIA: “Como a qualidade do ar pode influenciar asma e alergia nas crianças”. Este projeto de investigação científica abrange as áreas da saúde e ambiente interior, com foco na qualidade do ar interior e na saúde em escolas do ensino básico da cidade do Porto.
https://www.myneurologia.pt/atualidade/item/428-zonas-verdes-em-redor-das-escolas-urbanas-afetam-o-sistema-nervoso-aut%C3%B3nomo.html

 

Fonte texto e imagem: News Farma

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