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23/07/2019| Um em cada três portugueses terá fígado gordo, mas não sabe

 



 

As palavras são da Prof.ª Doutora Maria Paula Macedo, investigadora da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) e professora da NOVA Medical School, a propósito dos resultados do mais recente estudo nacional da APDP sobre o fígado gordo. A investigação decorreu em 2018 e integrou uma amostra de 700 pessoas diagnosticadas com diabetes, avaliadas pela tecnologia mais moderna (elastografia), e concluiu que dois terços dessas pessoas apresentavam igualmente fígado gordo. Dados de um estudo nacional também realizado pela APDP, em 2014, apontavam que mesmo em pessoas sem diabetes nem pré-diabetes, um terço dos indivíduos apresentava fígado gordo.
“Além de contribuir para agravar as complicações de saúde associadas à diabetes, o fígado gordo é um fator acelerador da doença em pessoas com pré-diabetes e mesmo em pessoas saudáveis. Por isso, é muito importante estarmos alerta para esta condição, ainda subdiagnosticada e subvalorizada”, acrescenta o Prof. Doutor Rogério Ribeiro, investigador da APDP e docente da Universidade de Aveiro. “Entre as pessoas com hepatite “gorda” assiste-se também ao forte surgimento da diabetes, afetando uma em cada três dessas pessoas, segundo dados internacionais”, acrescenta o investigador.
Dados dos Estados Unidos da América (EUA) apontam para que as pessoas com fígado gordo e diabetes tenham entre três a quatro vezes maior risco de desenvolver cirrose ou carcinoma hepático, face às pessoas com fígado gordo e sem diabetes.
A propósito do Dia Mundial das Hepatites, que se assinala a 28 de julho, o presidente da APDP, José Manuel Boavida, recorda a importância “do diagnóstico precoce e do apoio estruturado à luta contra o excesso calórico alimentar e a obesidade. Em vez de se esperar por novos fármacos há que reforçar a capacidade de mudança de hábitos das pessoas com diabetes identificadas com fígado gordo”.
A APDP tem apostado em investigação em conjunto com outras instituições europeias na procura de ferramentas de identificação e tratamento da doença, dada a dificuldade de diagnóstico e a inexistência de um tratamento eficaz. O fígado gordo pode evoluir para fibrose, cirrose ou até cancro hepático.
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Fonte texto e imagem: News Farma

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