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23/07/2018| População idosa portuguesa é pouco saudável, conclui o maior estudo europeu sobre envelhecimento

 



 

DO-HEALTH é o nome do maior estudo europeu sobre envelhecimento, que procura formas de melhorar a saúde dos idosos com mais de 70 anos. Como resultados preliminares, o projeto chegou à conclusão de que a população idosa portuguesa apresenta baixos níveis de saúde, quando comparando com outros países europeus. A participação portuguesa no estudo, é assegurada por um grupo de investigadores da Clínica Universitária de Reumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), liderado pelo Prof. Doutor José António Pereira da Silva.

Iniciado em 2012, o estudo integra mais de meia centena de cientistas de sete centros universitários de Portugal, França, Áustria, Alemanha e Suíça.
As conclusões, referentes à primeira visita clínica dos 2157 participantes no estudo, indicam que na Suíça 51% dos idosos são considerados saudáveis, na Áustria 58%, na Alemanha 38%, em França 37% e em Portugal apenas 9%. No global, 42% dos participantes europeus foram considerados idosos saudáveis.
Como idosos saudáveis os investigadores do projeto consideraram os seniores que não apresentam doenças crónicas e que têm uma boa saúde física e mental.
Ao longo de três anos de ensaio clínico foi pedido aos participantes que cumprissem, três vezes por semana, um plano de exercício simples em casa e tomassem diariamente suplementação de vitamina D e/ou ácidos gordos omega 3 e/ou placebo, com o objetivo de avaliar o efeito da vitamina D e do omega 3 e do exercício físico na saúde cognitiva e física dos idosos.
Num comunicado divulgado à comunicação social, o Prof. Doutor José António Pereira da Silva refere que “os dados recolhidos vão ser analisados de forma a determinar os efeitos destas três intervenções em cinco principais dimensões: risco de fratura, função muscular dos membros inferiores, função cognitiva, tensão arterial e taxa de infeções”.
Sobre o facto de Portugal apresentar níveis de saúde inferiores aos observados nos outros seis centros participantes, o especialista afirma que “estes resultados não nos surpreendem, mas preocupam. Temos os idosos menos saudáveis a todos os níveis, cognitivo e físico. É, sem dúvida, um problema relevante de Saúde Pública”.
Ainda que as possíveis causas que justificam esta realidade não tenham sido avaliadas no estudo, o professor da FMUC acredita que “há a considerar todo um conjunto de recursos sociais com efeito na saúde dos idosos, que vão desde o valor das pensões até à facilidade de acesso à saúde. Há ainda um fator que eu presumo ser muito determinante que é o nível educacional”.
“Há alguns sinais preocupantes em Portugal do ponto de vista do Serviço de Saúde. Por um lado, vai diminuindo a acessibilidade aos serviços públicos – por exemplo, a redução do acesso aos transportes de doentes – e, por outro, uma aposta que me parece deliberada dos partidos do arco de governação na Medicina privada”, acrescenta.
Para a implementação do DO-HEALTH em Portugal foi criado um centro dedicado na FMUC, que implicou um financiamento da Universidade de Coimbra (UC) na ordem dos 200 mil euros, representando no total, com a contribuição da União Europeia, um orçamento de mais de 800 mil euros. O orçamento total do DO-HEALTH foi de 17.6 milhões de euros.
A equipa da UC, constituída por três enfermeiros, quatro médicos, dois fisioterapeutas e uma farmacêutica, recrutou e seguiu 301 idosos da região de Coimbra, que perfizeram três consultas anuais e nove contactos telefónicos trimestrais.
http://www.newsfarma.pt/noticias/6879-popula%C3%A7%C3%A3o-idosa-portuguesa-%C3%A9-pouco-saud%C3%A1vel,-conclui-o-maior-estudo-europeu-sobre-envelhecimento.html

 

Fonte texto e imagem: News Farma

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