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24/07/2018| Investigadores preveem uma deterioração significativa da qualidade do ar em Portugal até ao final do século

 



 

Um grupo de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) divulgou as conclusões de um estudo, que sugere que a qualidade do ar em Portugal continental e, consequentemente, o ambiente e a saúde pública, vão continuar a degradar-se de forma preocupante até ao final do século. Segundos os especialistas, estas declarações vão tornar-se realidade, mesmo com a previsão da diminuição da emissão de poluentes para a atmosfera.
Os resultados são de um trabalho inédito, que estimou de que maneira as alterações climáticas e as condições meteorológicas que se avizinham vão afetar a qualidade do ar em Portugal na última metade do século XXI.
“A degradação da qualidade do ar esperada entre 2050 e 2100 para alguns poluentes, apesar da redução das respetivas emissões fruto das imposições da Comissão Europeia, é justificada pelas condições meteorológicas mais quentes e secas [em 2100 o planeta estará em média mais quente quatro graus] que conduzem a um aumento das concentrações de fundo e a uma menor deposição e dispersão”, aponta a Prof.ª Doutora Alexandra Monteiro, investigadora do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e do Departamento de Ambiente e Ordenamento da UA.
De acordo com a investigadora, estas evidências trazem a certeza de que “a proteção da saúde humana vai ser ainda mais crítica no futuro”. Crianças, idosos, grávidas e indivíduos que sofram de problemas respiratórios e cardíacos vão ser os principais afetados pela poluição atmosférica, que, atualmente, e conforme a Organização Mundial de Saúde, já mata todos os anos sete milhões de pessoas em todo o mundo.
As conclusões publicadas recentemente na revista Air Quality, Atmosphere & Health “confirmam bem a complexidade do sistema atmosférico e da poluição do ar, em particular, revelando que a sua natureza depende de múltiplos fatores, que incluem, não só o que é emitido para a atmosfera pelo Homem e pela natureza, mas também as condições físicas de dispersão e transporte dos poluentes, ditadas pela meteorologia”, acrescenta a especialista.
Inevitabilidade da deterioração do ar
“Apesar do combate e mitigação das alterações climáticas dever ser feito, prevê-se que haja alterações inevitáveis e já não passíveis de resolver”, antevê a Prof.ª Doutora Alexandra Monteiro. Ainda assim, para minimizar os danos, é urgente diminuir ainda mais as emissões da responsabilidade do Homem.
Como a investigadora alerta, é fundamental criar uma estratégia eficiente e duradoura de implementação conjunta entre países e continentes, tendo em conta que “a poluição do ar não tem fronteiras nem limites políticos”.
Para além da Prof.ª Doutora Alexandra Monteiro, também participaram no projeto mais sete investigadores do CESAM. O estudo contou ainda com a colaboração do Grupo de Meteorologia e Climatologia do Departamento de Física da UA, que disponibilizou os resultados das simulações de cenários climáticos para futuro de médio (2050) e longo prazo (2100).
http://www.mypneumologia.pt/investiga%C3%A7%C3%A3o/809-investigadores-preveem-uma-deteriora%C3%A7%C3%A3o-significativa-da-qualidade-do-ar-em-portugal-at%C3%A9-ao-final-do-s%C3%A9culo.html

 

Fonte texto e imagem: News Farma

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