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24/07/2018| Dia Mundial do Cérebro: especialistas alertam para as consequências da poluição na ocorrência de AVC

 



 

Para assinalar o Dia Mundial do Cérebro, que se celebra anualmente a 22 de julho, a World Federation of Neurology (WFN) escolheu o tema “Clean Air for Brain Health”. Como principal objetivo, o mote visa alertar para a poluição atmosférica enquanto fator de risco modificável para as doenças degenerativas do sistema nervoso e cerebrovasculares, em especial o AVC, principal causa de morte e incapacidade no país. A Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC) associa-se a esta campanha em Portugal, divulgando as mais recentes evidências e indicações sobre a exposição à poluição atmosférica e a ocorrência de AVC.
Os efeitos da poluição atmosférica na saúde das pessoas têm sido alvo de grande estudo nos últimos anos. Segundo a última estimativa, cerca de 12 milhões de pessoas em todo o mundo morrem por ano devido a causas atribuíveis à poluição atmosférica. Estas podem estar relacionadas com doenças cardíacas, doenças pulmonares, doenças oncológicas e, mais recentemente, doenças neurológicas, nomeadamente o AVC e a demência.
“São complexos os mecanismos que estão na origem da relação entre exposição à poluição atmosférica e ocorrência de AVC, envolvendo uma componente vascular, uma componente ligada ao sistema nervoso autónomo e uma componente relacionada com o aumento da agregação plaquetária”, afirma José Manuel Calheiros, professor catedrático da Universidade da Beira Interior (UBI), que se tem dedicado à investigação na área.
“A poluição está, de facto, a invadir o cérebro, os pulmões e, consequentemente, todo o organismo”, reforça o especialista.
Como o membro da comissão científica da SPAVC acrescenta, têm sido publicados diversos estudos que estabelecem uma relação sólida entre a poluição atmosférica e os efeitos agudos e crónicos sobre os sistemas circulatório e nervoso.
“O ano passado foi publicado um estudo que analisou os efeitos da poluição a longo prazo numa população de seis países de médio e baixo rendimentos com elevados índices de poluição, o qual incluiu mais de 45 mil participantes. Concluiu-se que, por cada aumento de 10 microgramas de partículas poluentes finas (PM2,5) por metro cúbico, a probabilidade de ocorrência de um AVC aumenta em cerca de 13%. O estudo revelou ainda que, nestes países, 6,6% da totalidade dos AVC podem ser atribuídos à poluição ambiental”, sublinha o docente da UBI.
Conclusões do relatório internacional Global Burden of Disease
Adicionalmente, a WFN recorre às conclusões do relatório internacional Global Burden of Disease para sustentar as suas declarações. De acordo com estes dados, a poluição atmosférica é um dos fatores que contribuiu para o aumento do AVC em mais de 30% entre os anos 1990 e 2013, tendo como análise 188 países diferentes.
“Importa notar que esta poluição pode ser proveniente do tráfego automóvel, da indústria, de centrais de produção de energia e de fogos florestais, ao que acresce a poluição dentro de nossas casas e locais de trabalho”, refere José Manuel Calheiros, acrescentando que “a mais frequente das causas de poluição do ar interior é o fumo do tabaco, que coloca em risco o fumador e os que com ele convivem”.
“Apesar das sistemáticas recomendações para reduzir a poluição há muito preconizadas pela Organização Mundial de Saúde e outros organismos, estamos muito longe do que é desejável, pois essas indicações não são cumpridas na maior parte dos países”, afirma, alertando para a importância da sensibilização dos profissionais de saúde e dos decisores políticos.
Para mais informações, consulte aqui a página da WFN sobre o World Brain Day 2018.
http://www.vitalhealth.pt/saude/6297-dia-mundial-do-c%C3%A9rebro-especialistas-alertam-para-as-consequ%C3%AAncias-da-polui%C3%A7%C3%A3o-na-ocorr%C3%AAncia-de-avc.html

 

Fonte texto e imagem: News Farma

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