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05/11/2018| Dentro de poucos anos o cancro vai equiparar-se a uma gripe, alertam os especialistas

 



 

Pela primeira vez, realizou-se um congresso nacional transdisciplinar de saúde, para debater “A Qualidade de Vida do Doente Oncológico”. Inserido na programação Outubro Rosa e organizado pelo Gabinete de Apoio Oncológico (GAO), o evento decorreu no Altice Fórum Braga.
Além do tratamento da doença, o objetivo é ajudar o utente a um regresso rápido e funcional à sua vida diária pessoal, familiar e profissional.
Inseriram-se na discussão as várias vertentes vitais, juntamente com os seus profissionais para uma melhor qualidade de vida do doente, como médicos, psicólogos, fisioterapeutas, técnicos de exercício físico e nutricionistas. O evento dividiu-se em três grandes painéis, tendo cada um uma mesa redonda no fim para debater os tópicos abordados.
Medicina e Investigação
Os médicos presentes neste painel, pertencentes às mais diversas instituições públicas ou privadas, entre as quais Fundação Champalimaud, IPO Lisboa, CUF, Hospital da Luz, Hospital São João do Porto e Hospital de Braga, foram unânimes nas suas intervenções ao alertaram que cada vez mais o cancro será uma doença crónica, podendo vir a ser tão comum como uma gripe.
Atividade física, exercício físico e nutrição
Sendo o cancro da mama feminino um dos cancros mais prevalentes na mulher em Portugal, estudos científicos comprovam que o aparecimento desta doença está, entre outros fatores, fortemente relacionado com o estilo de vida atual, nomeadamente a alimentação pobre e o sedentarismo. Estudos científicos como o projeto, Quality Onco Life Program, demonstram que o exercício físico reduz de forma eficaz a pronúncia dos efeitos secundários sentidos com a quimioterapia.
Contudo, o Eurobarómetro da Atividade Física de 2017 indica que 68% da população portuguesa não faz qualquer tipo de exercício físico, o que coloca Portugal entre os três países da Europa com piores resultados, a par da Grécia e da Bulgária.
É esta realidade que levou a repetição do alerta por todos os preletores para a necessidade de se atuar perante o desinteresse e mudar de forma radical o atual estilo de vida.
“Mais de um terço das doenças oncológicas seriam perfeitamente evitáveis se a população portuguesa adotasse um estilo de vida saudável”, afirma Maria João Cardoso, da Unidade da Mama da Fundação Champalimaud.
Psicologia e cuidados
Segundo Paulo Coelho e Jorge Monteiro, ambos psicólogos, o problema está no estigma criado pela própria sociedade face ao cancro, como sendo uma doença sempre mortal e um fim de linha. Tal faz com que logo haja um sentimento por grande parte das pacientes de desistir antes mesmo de iniciar o tratamento.
O doente, face a este estigma, vive a doença com preconceito, escondendo-a e tornando-a num fardo demasiado pesado, o que leva a uma redução da taxa de sucesso dos tratamentos.
A eficácia dos tratamentos, e principalmente o regresso a uma vida “normal” e funcional das utentes está efetivamente relacionada com este trabalho de complementaridade.
A grande conclusão do Congresso passa pelo facto de a atividade física ser um aliado de excelência na prevenção da doença oncológica, mas também essencial durante o tratamento e particularmente necessário para o regresso à vida ativa.
https://www.vitalhealth.pt/saude/6605-dentro-de-poucos-anos-o-cancro-vai-equiparar-se-a-uma-gripe,-alertam-os-especialistas.html

 

Fonte texto e imagem: News Farma

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