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09/12/2019| Cérebro consegue recuperar funções mesmo que metade seja removido

 



 

O caso de partida foi o de uma criança de três anos a quem foi feita uma hemisferectomia devido ao tamanho anormal do cérebro. A condição causava-lhe centenas de convulsões por dia, pelo que o tratamento encontrado foi remover volume.
"O nosso cérebro é extraordinariamente plástico", apontou ao The New York Times o autor do estudo publicado na revista Cell Reports, o Dr. Dorit Kliemann. "Consegue compensar a perda dramática de estruturas cerebrais e, em alguns casos, as estruturas remanescentes conseguem suportar um nível de cognição quase total." Antes, o consenso científico era que a única forma de todas as funções serem recuperadas era se a operação fosse feita antes dos cinco anos. No entanto, este estudo vem provar que não há uma idade limite para a intervenção, desde que a neuroplasticidade se mantenha elevada.
Para além da criança, cujos pais criaram uma organização sem fins lucrativos que apoiou financeiramente o estudo, vários pacientes intervencionados entre os três meses e os 11 anos foram aos consultórios do Dr. Dorit Kliemann e do Dr. Ralph Adolphs e sempre que lhes era feita uma ressonância magnética a reação dos médicos era a mesma: "Sempre que olhávamos para as imagens dizíamos 'bem, é impossível que este cérebro esteja a funcionar'", apontou o Dr. Ralph Adolphs. E na verdade estavam. "Se pegarmos noutro qualquer sistema que tenham funções que dependem de partes diferentes, como o coração, e o dividirmos ao meio, não vai funcionar. Se eu cortar o meu computador portátil e o cortar ao meio, não vai funcionar."
Em resumo, a maior parte das estruturas cerebrais usa os dois hemisférios para funcionar. Para reconhecer caras de pessoas, por exemplo, são necessários os dois lados do cortex cerebral, enquanto que o hemisfério direito controla o movimento do lado esquerdo do corpo e vice-versa. No entanto, o que acontece às pessoas com apenas um hemisfério é que as estruturas que ficam conseguem aprender as funções perdidas, sendo que até uma estrutura que seja específica para uma determinada ação consegue passar a operar como generalista.
Este estudo vem dar esperança a pais de crianças que tenham muitas convulsões e ataques de epilepsia, uma vez que vem provar que um cérebro é capaz de recuperar melhor de uma hemisferectomia do que de ataques longos e persistentes.
Fonte: Sábado
https://www.myneurologia.pt/atualidade/item/430-c%C3%A9rebro-consegue-recuperar-fun%C3%A7%C3%B5es-mesmo-que-metade-seja-removido.html

 

Fonte texto e imagem: News Farma

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