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Mexa-se pela sua saúde!
Existe um número significativo de doenças reumáticas que apresentam artrite, das quais a mais representativa será a artrite reumatoide, mas também o lúpus eritematoso sistémico, as espondilartrites, a gota úrica, entre outras. São doenças que podem manifestar-se com dor, tumefação (inchaço), calor articular e vermelhidão e com isso provocar limitação funcional, ou seja, as articulações apresentam dificuldade em dobrar ou em se moverem.
Assim, o controlo efetivo da doença implica um diagnóstico precoce feito pelo reumatologista, de modo a travar tão cedo quanto possível a evolução de limitações funcionais, e a instituição de terapêutica dirigida, que o doente deve cumprir com rigor.
Contudo, “existe um conjunto alargado de medidas comportamentais que o doente poderá ter necessidade de adotar, ou de hábitos que terá de alterar para melhorar a sua qualidade de vida e prevenir o desenvolvimento de maior incapacidade das suas articulações”, sublinha o Dr. Luís Cunha Miranda, reumatologista do Instituto Português de Reumatologia, em Lisboa.
Se sofre de artrite e quer minimizar o impacto da doença na sua vida, cumpra o tratamento prescrito pelo seu médico e siga os seguintes conselhos do Dr. Luís Cunha Miranda:
  • Alimentação: Tal como para diversas outras patologias, nomeadamente, cardíacas, a alimentação deve ser variada, incluir vegetais e fruta, restringir gordura, álcool e açúcares em excesso. Uma boa ingestão de cálcio é também fundamental, nomeadamente, em doenças como a osteoporose. Poderá ser necessário implementar dietas especificamente adaptadas às diversas patologias, de acordo com a doença de base – como sucede, por exemplo, em casos de gota úrica.
  • Exercício físico: Essencial para manter a qualidade das articulações e dos músculos, permitindo que as atividades diárias sejam feitas com menos esforço. O exercício deverá ser adaptado ao doente, tendo em conta as características de cada um (idade, peso, tipo e envolvimento da doença, preferência pessoal, etc.) e deve ser praticado de forma regular, ao longo da semana e sem interrupções. A continuidade do exercício é que permite a recuperação e melhoria funcional das articulações.
  • Peso: Muito associado a uma alimentação desregrada e ao sedentarismo, isto é, à falta de exercício físico regular, o excesso de peso é causador de agravamento de muitas doenças reumáticas e deverá ser combatido. Tente manter um peso ajustado à sua altura.
  • Trabalho: Sempre que tal for possível, é fundamental a escolha de um trabalho que permita que a doença não influencie a rentabilidade laboral, nem que este agrave as queixas. Visto que nem sempre – ou quase nunca – essa escolha é possível, poderá ser necessária a adaptação das tarefas a desempenhar, assim como do posto de trabalho. O aproveitamento correto das pausas, a manutenção de uma boa postura corporal no posto de trabalho e a inteligente mobilização de pesos e cargas podem permitir que a profissão seja realizada com pouca interferência da doença no trabalho e vice-versa.
  • Adaptações de melhoria do impacto articular: Adote estratégias que permitam realizar uma vida o mais normal possível, dentro das limitações impostas por uma doença reumática. Tudo deve ser pensado para reduzir o impacto articular das atividades diárias. Assim, a adaptação da casa e de certos objetos poderá ser de grande importância. Trocar os manípulos de rodar, das portas e das torneiras, para manípulos de alavanca; utilizar dispositivos que ajudem a abrir frascos; facas e garfos adaptados; canetas com uma pega maior; ou uma escolha criteriosa de mobiliário são coisas simples mas que podem facilitar muito a sua vida.
    Em concreto, o mobiliário deve ter em conta o conforto, mas igualmente o tipo de doença. Por exemplo, doentes com lombalgias (dores na coluna lombar) devem evitar sentar-se em sofás, especialmente se estes forem muito baixos. Devem optar por sentar-se em cadeiras com braços que ajudem a uma mais fácil transição de sentado para de pé. Os tapetes devem ser evitados, especialmente em casas de doentes com maior risco de quedas ou que tenham grandes limitações na marcha.
    Em casa, tal como no posto de trabalho, as posturas prolongadas e a mobilização de cargas excessivas deverão ser evitadas. Deve também intercalar atividades que obrigam a uma constante rotação articular por curtos períodos de tempo (por exemplo, passar a ferro, aspirar, etc.) por outras com menos impacto nas dores e na doença.
  • Ajudas técnicas: A utilização de talas de repouso, colares cervicais, cintas de apoio ou de outras ajudas técnicas podem também ser opções, mas deverão ser discutidas com o reumatologista assistente.

Desta forma, a base do tratamento das doenças reumáticas é uma estratégia global que passa por um diagnóstico precoce e por um plano terapêutico individualizado pelo seu reumatologista, mas o papel do doente é também fundamental», conclui o Dr. Luís Cunha Miranda.
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