Dor de cabeça – parece que vai explodir!

Cefaleia é o termo médico para a dor de cabeça – que, assinala a Dr.ª Lívia de Sousa, “pode ser uma doença ou um sintoma de uma doença. Se constitui um sintoma de doença, a cefaleia é classificada como sintomática, ou secundária. Quando é uma doença, a cefaleia é classificada como idiopática, ou primária, entre as quais se distinguem a cefaleia tipo tensão e a enxaqueca”, por serem muito frequentes na população e porque afetam significativamente a qualidade de vida de muitas pessoas. Existem ainda outras formas de cefaleia, mas são mais raras.

Cefaleia – o que é e qual a sua causa?

Cefaleia é o termo médico para a dor de cabeça – que, assinala a Dr.ª Lívia de Sousa, “pode ser uma doença ou um sintoma de uma doença. Se constitui um sintoma de doença, a cefaleia é classificada como sintomática, ou secundária. Quando é uma doença, a cefaleia é classificada como idiopática, ou primária, entre as quais se distinguem a cefaleia tipo tensão e a enxaqueca”, por serem muito frequentes na população e porque afetam significativamente a qualidade de vida de muitas pessoas. Existem ainda outras formas de cefaleia, mas são mais raras. Havendo “episódios prévios e/ou história familiar de cefaleia, com exame neurológico normal, o mais provável é estarmos perante uma cefaleia primária, portanto, a própria dor de cabeça é a doença”, diz a especialista. “Na ausência destes fatores e se subitamente se instala uma dor de cabeça que se manifesta diariamente, logo pela manhã; se a dor aumenta à medida que o tempo passa e começa a não responder à medicação, podemos estar perante uma cefaleia secundária, provocada por uma outra doença de base”. Existe uma “componente hereditária” que predispõe a sofrer mais dores de cabeça quem tem antecedentes familiares diretos com o mesmo problema. Genericamente, as cefaleias têm origem num “processo inflamatório estéril (ou seja, não é provocado por microrganismos) e de aumento da tensão nos vasos sanguíneos que irrigam a cabeça. A massa encefálica não dói, o que dói são as terminações nervosas que libertam desencadeantes inflamatórios ao nível dos vasos sanguíneos”, explica a neurologista.

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A cefaleia tipo tensão – episódica e crónica

A cefaleia tipo tensão, de intensidade ligeira a moderada, é a mais frequente na comunidade, porque é desencadeada por situações de maior stress, como conflitos profissionais e familiares aos quais todos estamos sujeitos. A Dr.ª Lívia de Sousa afirma que “quando estamos nervosos, apreensivos ou arreliados, estamos mais vulneráveis à manifestação episódica da dor de cabeça que corresponde à cefaleia tipo tensão, que praticamente todas as pessoas experienciam ao longo da vida. A cefaleia tipo tensão é assim designada porque está associada a uma tensão muscular e a uma tensão psíquica – que, muitas vezes, estão associadas entre si”. Na maioria dos casos, a cefaleia tipo tensão é episódica. No entanto, a especialista alerta que pode haver evolução para uma “cefaleia tipo tensão crónica, que define a dor de cabeça que se manifesta mais de 15 dias por mês e 3 meses por ano. A dor crónica, repetida no tempo, acaba por provocar lesões nos tecidos nervosos. Estas lesões, por sua vez, geram mais dor, num quadro de cronicidade que se perpetua, num ciclo vicioso em que a dor passa a ser quase uma constante, o que se traduz numa significativa perda de qualidade de vida. Quando as dores de cabeça começam a ser frequentes, é recomendável consultar um médico para fazer tratamento sintomático e preventivo das crises, de modo a evitar o ciclo vicioso da dor crónica”. A neurologista sublinha ainda que “a cefaleia crónica pode ser consequência mas também uma causa de depressão, porque é insuportável viver com dor. Uma pessoa com dores de cabeça muito recorrentes pode entrar numa espiral em que começa a faltar ao trabalho, tem um pior desempenho, fica de mau humor, tende a isolar-se, as relações pessoais deterioram-se e estão reunidas condições para entrar em depressão”.

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Enxaqueca – quando a dor se intensifica

A enxaqueca é uma cefaleia de intensidade moderada a severa que agrava com atividade física de rotina, ou seja, quaisquer ações que impliquem movimento da cabeça. “É a cefaleia que gera maior sofrimento e a mais incapacitante. Afeta aproximadamente 1 em cada 7 adultos; entre as mulheres, a prevalência ronda os 16%; nos homens, é de cerca de 4%. Os fatores de ordem hormonal parecem explicar as diferentes prevalências entre ambos os sexos”, salienta a Dr.ª Lívia de Sousa, acrescentando: “A dor provocada pela crise de enxaqueca distingue-se, também, por ser de qualidade pulsátil (o doente sente um latejar na cabeça). Em cerca de 2/3 dos casos, a dor tende a manifestar-se unilateralmente, isto é, começa por atingir somente um dos lados da cabeça. Posteriormente, poderá propagar-se a várias localizações, apesar de ser mais frequente nos lobos frontal e temporal. A duração de uma crise é variável, podendo durar algumas horas ou até dois ou três dias. Tal como a cefaleia tipo tensão, a enxaqueca é classificada como crónica quando se manifesta mais de 15 dias por mês e 3 meses por ano". A especialista frisa que é comum a enxaqueca cursar com fotofobia (dificuldade em encarar a luz), fonofobia (intolerância ao ruído), náuseas e vómitos. Num menor número de casos, cursa também com osmofobia (aversão a determinados cheiros, entre os quais, o odor de alimentos fritos).

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Tratamento - Não deixe que a dor se instale

No que diz respeito à terapêutica das cefaleias sintomáticas ou secundárias, em que existe uma doença de base que provoca a dor de cabeça, a Dr.ª Lívia de Sousa indica que, “pode e deve sempre ser feito o tratamento sintomático, para aliviar a dor – mas, antes de mais, é necessário tratar a doença que está na origem da dor”. Como exemplos de doenças que frequentemente são causa de cefaleia secundária, a neurologista aponta “os distúrbios do sono e a depressão”. Dado que resulta de um processo inflamatório doloroso, a crise episódica da cefaleia tipo tensão requer “medicação com propriedades analgésicas, para aliviar a dor, e anti-inflamatórias, para controlar a inflamação. O paracetamol e o ibuprufeno são fármacos eficazes no controlo das dores de cabeça ligeiras a moderadas. Para o tratamento das crises de enxaqueca estão aprovados medicamentos específicos, designados por triptanos. Em crises muito fortes, nomeadamente, em alguns casos de enxaqueca prolongada, a inflamação e a dor podem ser tão intensas que só é possível aliviar o doente administrando cortisona, um anti-inflamatório potente”. Além da medicação, a especialista sublinha a utilidade da “intervenção na componente comportamental, recorrendo a técnicas de biofeedback, que ajudam a reconhecer as causas do aumento tensional, e a técnicas de relaxamento, que ajudam a controlar os níveis de stress, relaxando os músculos e a mente”. Tal como sucede em casos com diagnóstico de cefaleia tipo tensão crónica, se as dores de cabeça deixam de ser episódicas e passam a ser recorrentes, poderá haver indicação para fazer terapêutica preventiva – dependendo de haver ou não resposta aos analgésicos, bem como da intensidade e duração da dor. Nomeadamente, quando é frequente ocorrerem duas crises numa mesma semana, ou em determinados casos em que ocorram duas a três crises por mês, pode também haver indicação para um regime de tratamento preventivo específico, com medicação que só poderá ser administrada sob prescrição e vigilância médica”, refere a Dr.ª Lívia de Sousa.

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