Dor de dentes

A dor de dentes – designada na terminologia médica por odontalgia – está associada não só ao próprio dente, mas também à zona da gengiva onde este está localizado.

Por que surge a dor de dentes?

A dor de dentes – designada na terminologia médica por odontalgia – está associada não só ao próprio dente, mas também à zona da gengiva onde este está localizado. De acordo com Francisco Salvado, estomatologista do Centro Hospitalar Lisboa Norte (Hospital de Santa Maria) e docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, “a principal causa da dor de dentes é a formação de cárie dentária, provocada pela ação infecciosa de microrganismos. O dente é composto por uma câmara pulpar revestida por uma substância chamada dentina, formada por pequenos tubos. Quando a cárie invade a dentina, os microrganismos infecciosos provocam uma inflamação que progride através da dentina, atingindo a polpa dentária – a região onde se encontram os elementos nervosos do dente. Havendo inflamação das terminações nervosas, a dor de dentes manifesta-se, muitas vezes, com a compressão que ocorre na mastigação”.
A presença de cárie dentária está na origem da maioria dos casos de dor de dentes, mas não é a única causa. Nomeadamente, avança o estomatologista, “a dor pode também resultar de uma fratura do próprio dente ou de uma lesão no tecido que o envolve, o chamado tecido periodontal que compõe a gengiva. Um dente do siso a erupcionar (a nascer) é outra causa possível para a dor de dentes. Nestes casos, é muito frequente que o dente do siso, ao comprimir e romper a gengiva, provoque uma inflamação que resulta em dor”.
Outro tipo de dor de dentes muito frequente resulta da sensibilidade dentária à temperatura e manifesta-se aquando da ingestão de alimentos ou bebidas muito frias, ou muito quentes. A maioria das vezes, diz o especialista, “deve-se à fragilidade do esmalte que envolve a coroa do dente e o protege. No entanto, na raiz do dente não há esmalte e quando há retração da gengiva, motivada por inflamação, a raiz fica exposta e, sem proteção do esmalte, há dor. A utilização de escovas de dentes muito duras é uma causa frequente de desgaste do esmalte, tornando-o mais fino e, consequentemente, vulnerabilizando a dentição à dor por exposição a temperaturas mais extremas”.
A dor de dentes pode também decorrer de intervenções de ortodontia, designadamente, da “colocação de aparelhos que implicam alguma mobilidade dos dentes – da qual pode derivar a dor, sobretudo, ao mastigar, como também o risco de rutura dos nervos. Algumas técnicas de ortodontia, quando menos bem executadas, podem também acarretar o risco de lesão ou traumatismo do tecido periodontal, que por si só podem originar dor, mas também potenciar o risco de infeção”, indica o Prof. Doutor Francisco Salvado.
Assim, entre as principais causas de dor de dentes encontra-se:
  • A formação de cárie dentária;
  • Uma fratura no dente
  • Uma lesão na gengiva
  • A erupção de um dente do siso
  • A sensibilidade dentária à temperatura
  • Intervenções de ortodontia

A intensidade da dor de dentes é muito variável, podendo ser apenas incómoda ou verdadeiramente insuportável e incapacitante para o desempenho da função de mastigação. Segundo o estomatologista, a intensidade da dor de dentes depende de três fatores: “do tipo de dente – porque alguns dentes são mais dolorosos, nomeadamente, os molares e os caninos; outro fator é o grau e a extensão da infeção. À partida, uma pequena cárie provocará menos dor e do que uma grande cárie; finalmente, a intensidade varia com também com tolerância individual à dor”.

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Trate precocemente a dor de dentes e evite mais complicações

A dor de dentes é um sintoma frequentemente negligenciado, principalmente, quando provoca apenas um incómodo ligeiro e esporádico. Muitas vezes, limitamo-nos a mastigar os alimentos no lado da boca oposto ao dente que dói e esperamos que a dor passe. Todavia, essa atitude pode trazer-nos dissabores. “A história de evolução de uma dor de dentes não tratada é típica: primeiro, existe uma cárie dentária não tratada, com dor ligeira a moderada. Rapidamente, este quadro evolui para dor muito intensa e permanente, quadro que os especialistas designam como pulpite, resultante da inflamação da polpa onde está localizada a enervação do dente. A dada altura, a queixa de dor desaparece, mas, a maioria das vezes, a cessação da dor corresponde à morte da polpa dentária. Ou seja, quando não tratada, rapidamente a pulpite culmina em necrose pulpar, isto é, na morte dos tecidos, tornando-se necessário desvitalizar o dente. Finalmente, se a necrose pulpar não é tratada, porque o tecido morto é um tecido infetado, mais cedo ou mais tarde irá desenvolver-se um abcesso que será necessário drenar. Com o abcesso, regressa a dor, devido ao inchaço dos tecidos circundantes”, explica o especialista, advertindo:
“Para evitar entrar neste rápido processo evolutivo, não convém ignorar a dor de dentes e esperar que passe. Sempre que houver dor de dentes é recomendável consultar um médico estomatologista.”
 

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Previna, antes que tenha de tratar

Estando a má higiene oral na origem da formação de placa bacteriana e da cárie dentária, pode-se facilmente depreender que é da má higiene oral que, em última análise, resulta a maioria dos casos de dor de dentes. Assim, para a prevenir, o especialista recomenda «a escovagem dos dentes três vezes ao dia, com uma pasta dentífrica com flúor e uma escova macia, de modo a não desgastar o esmalte. Para remover resíduos de alimentos que a escovagem normal não consegue remover, devemos utilizar um escovilhão interdental e fio dentário. É também importante respeitar a antiga regra de lavar os dentes antes de dormir, porque se depois de lavar os dentes formos beber um copo de leite, ficamos durante toda a noite com açúcar do leite na boca, contribuindo para o aumento da incidência de cárie dentária”.
Associada a esta regra de higiene oral surge uma regra de dieta alimentar: “evitar produtos com muito açúcar, sobretudo, os que ficam durante muito tempo na boca, como os caramelos, rebuçados e pastilhas elásticas com açúcar. Todos os alimentos com açúcares provocam cárie dentária e estes são particularmente prejudiciais, na medida em que o doce é muito agressivo para a polpa dentária. Pelo contrário, as pastilhas elásticas sem açúcar não fazem mal aos dentes, inclusivamente, contribuem para a sua limpeza”, sublinha o Prof. Doutor Francisco Salvado.
Ainda no capítulo da prevenção, o estomatologista frisa que “as pessoas têm de manter presente que a cárie dentária é uma patologia infetocontagiosa, provocada por microrganismos que podem ser transmitidos, por exemplo, através do beijo na boca ou da partilha de objetos, como os talheres”.
 

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Se dói, não perca tempo, trate!

O tratamento da dor de dentes é sempre feito numa abordagem tripla: “se for essa a causa, a primeira medida é tratar a cárie dentária; simultaneamente, há que tratar a dor (que, por vezes, se mantém depois de a cárie estar tratada); por fim, é necessário reconstruir o dente, restituindo a sua forma e função. A dor é tratada com comprimidos analgésicos, puros ou com ação anti-inflamatória. Se a causa da dor de dentes é a erupção de um dente do siso, normalmente, está associada a uma inflamação que pode requerer uma primeira abordagem com antibiótico. Controlada a inflamação, o dente do siso é extraído e o doente mantém o tratamento antibiótico. Se tiver dor, é feito um tratamento combinado com antibiótico, medicamento analgésico e/ou anti-inflamatório”, refere o especialista.
Os casos de dor de dentes provocada por sensibilidade dentária à temperatura, adianta, “podem ser tratados com pastas dessensibilizantes que obstruem os canais nervosos, diminuindo transitoriamente a sensibilidade dentária”.
Um bom elixir pode também contribuir para abordar a dor de dentes, quer na prevenção, como medida adicional de higiene oral, quer para o tratamento. “Por um lado, a ação antibacteriana do elixir controla a infeção provocada pelos microrganismos. Por outro, alivia transitoriamente a dor, devido às suas propriedades analgésicas”, indica o Prof. Doutor Francisco Salvado. Nos casos de ortodontia, em que o aparelho dificulta a lavagem mais profunda da dentição e promove até a acumulação de pequenos resíduos, bochechar com um elixir pode ser particularmente útil.
O estomatologista conclui reforçando a mensagem: “em qualquer caso de dor de dentes, deverá sempre consultar um especialista, tão precocemente quanto possível. Não deixe passar a dor. Ao adiar o tratamento, este pode tornar-se cada vez mais complicado e culminar na necessidade de extrair o dente”.

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