Ajude o seu filho a parar de tossir

Na população infantil, assim como na adulta, a tosse é um sintoma muito prevalente e pode ter múltiplas causas.

O que provoca a tosse?

De acordo com a Prof.ª Doutora Leonor Bento, especialista em Pediatria e Alergologia Infantil do Centro Hospitalar Lisboa Norte – Hospital de Santa Maria, “as causas mais frequentes de tosse nas crianças são as infeções respiratórias, provocadas por vírus e/ou bactérias. Estas infeções são causa de alterações da mucosa das vias respiratórias, com produção de secreções, sendo a tosse um mecanismo de limpeza fisiológico que leva à sua expulsão. No entanto, muitas vezes, as crianças têm dificuldade em expulsar eficazmente as secreções, o que dá origem a quadros de tosse persistente de difícil alívio. Segundo a especialista, a tosse pode também resultar do “aumento de volume das amígdalas e dos adenoides, mais frequente nas crianças de idade pré-escolar e escolar, que provoca um certo grau de obstrução das vias aéreas superiores, com acumulação de secreções responsáveis pela tosse. Frequentemente, as infeções respiratórias superiores, com especial relevo para as rinofaringites de etiologia viral, muito frequentes nos meses mais frios, são os principais fatores desencadeantes destes quadros clínicos”. A presença de “mau hálito”, sobretudo matinal, devido à acumulação de secreções, é frequente. A tosse pode também decorrer de “infeções respiratórias baixas, isto é, ao nível dos brônquios e pulmões. Muitas crianças com bronquite têm tosse associada à «farfalheira», em que se nota a presença de secreções na árvore traqueobrônquica. No grupo das crianças alérgicas, ou com história familiar de doença alérgica, existem quadros de bronquite asmática e de bronquite sibilante, que requerem a observação médica e tratamento específico. Frequentemente, antes de o diagnóstico de asma brônquica estar bem estabelecido, muitas crianças apresentam uma sibilância audível na sua respiração, conhecida como «pieira» ou «gatinhos». Esta sibilância corresponde não só à inflamação do brônquio, como também à sua contração e obstrução, o que vai ocasionar algum grau de dificuldade respiratória, com dificuldade de expulsão do ar inspirado. Quanto maior for o grau de inflamação e de obstrução brônquica, mais acentuados serão os sintomas, dos quais a tosse seca e persistente, com predomínio noturno, é um dos mais importantes”, indica a pediatra e alergologista. Na criança, a aspiração acidental de corpos estranhos, alimentos ou de outra natureza, é uma causa de tosse persistente e resistente à terapêutica. Nem sempre há história clínica de engasgamento, não obstante, a especialista relata que “muitas vezes, a criança engasga-se podendo aspirar para a traqueia fragmentos de alimentos – como, por exemplo, um pequeno osso. Tratando-se de uma criança pequena, que não saiba ainda explicar-se, se ninguém assistir ao episódio, esta situação pode ser confundida como uma infeção respiratória”.

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Como tratar a tosse

“Cada uma das possíveis causas de tosse poderá requerer um tratamento diferente. Quando há persistência da tosse e esta não é atempadamente e devidamente tratada, acaba por haver irritação da garganta e a sintomatologia agrava-se”, afirma a pediatra e alergologista. Por isso, diz, é preciso agir e tratar a tosse:
“Sem descurar a sua causa e a respetiva terapêutica, deve-se fazer o tratamento sintomático da tosse. Se a causa for uma infeção respiratória alta pouco grave e não havendo sintomas acessórios, podemos recorrer a xaropes antitússicos/mucolíticos que ajudam a libertar a expetoração, facilitando a eliminação das secreções. É também aconselhado observar a respiração nasal da criança, para determinar se está ou não a respirar bem. De facto, uma boa higiene nasal poderá também contribuir para o alívio da tosse, uma vez que deixa de haver acumulação de secreções no nariz, que escorrem  para a garganta e agravam o problema”.
A tosse resultante das infeções respiratórias mais comuns,” normalmente, resolve-se em aproximadamente uma semana, se for feita a medicação adequada e se forem observadas as boas condições do contexto em que a criança está. Se a tosse se prolongar para além das duas a três semanas, é indicado realizar testes médicos mais profundos para determinar a causa”, aconselha a Prof.ª Doutora Leonor Bento.
A especialista sublinha ainda que “existe já uma longa experiência clínica na utilização pediátrica de alguns xaropes antitússicos/mucolíticos, com eficácia e segurança comprovadas, sem que sejam observados efeitos secundários resultantes da sua administração, pelo que constituem uma mais-valia no tratamento sintomático da tosse”.

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Não negligencie a tosse

Porque a tosse é muito comum e muitas vezes negligenciada, a Prof.ª Doutora Leonor Bento sublinha ainda “a necessidade de ter em atenção outros sintomas que possam acompanhar a tosse, porque estes poderão apontar para quadros clínicos que exigem uma consulta médica e observação cuidadosa. Nomeadamente, se a criança tiver também febre ou febrícula arrastada, perda de apetite ou se manifestar outros sintomas, poderão estar subjacentes situações mais complicadas”.

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Prevenir a tosse e o seu agravamento

Maioritariamente, a disseminação dos agentes infecciosos que estão na origem das doenças cuja tosse é um dos sintomas “faz-se pelo ar” e o contágio é muito fácil. É útil observar quais as épocas do ano em que a criança tem mais tosse e em que contexto. Muitas vezes, nas escolas, creches e infantários, há épocas em que as infeções respiratórias são muito frequentes e poderá ser necessário tomar medidas preventivas adicionais quando o contexto epidemiológico de infeção é generalizado “no meio ambiente da criança”, refere a especialista, acrescentando:
“Os cuidados de higiene que se devem ensinar às crianças são os mesmos que foram divulgados aquando do surto de gripe A: ao tossir ou espirrar, deve-se tapar a boca não com a mão, mas sim com o antebraço ou com um lenço; lavar bem e frequentemente as mãos, com água e sabão; promover uma boa limpeza e o arejamento das salas de aula, ao nível das escolas, creches e dos infantários”.
Também em casa é preciso ter alguns cuidados com fatores que podem provocar ou agravar a tosse, nomeadamente, “com temperaturas mais baixas e o ar muito frio na casa, correntes de ar, a presença de humidade, infiltrações e o fumo de tabaco. De facto, se os pais forem fumadores e fumarem dentro de casa, a criança estará muito mais vulnerável”, alerta a Prof.ª Doutora Leonor Bento.
Além destas medidas, sublinha, “as crianças devem estar agasalhadas de acordo com as condições climatéricas e evitar as bebidas muito frias, já que poderão agravar a tosse - sobretudo, se houver já uma inflamação de base”.

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