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28/12/2017| Transplantação pulmonar: uma história de sucesso que conhece a sua primeira Associação

O My Pneumologia esteve à conversa com Ricardo Pires, presidente da direção da ATPP, sobre o estado da transplantação pulmonar em Portugal e sobre as especificidades desta operação que estão na base da missão da Associação.
O 30.º transplante pulmonar realizado só este ano no Hospital de Santa Marta, colocou Portugal no grupo dos países que realiza mais cirurgias deste género, uma história de sucesso em Portugal, “graças ao empenho e trabalho de uma equipa multidisciplinar, à melhoria das condições e da política relacionada com a recolha de órgãos e ao aperfeiçoamento de técnicas de intervenção”, defende o presidente da ATPP. No entanto, nem tudo é fácil neste processo, antes pelo contrário: os transplantes pulmonares são um dos procedimentos cirúrgicos mais difíceis de efetuar e os dados disponíveis mostram que só é possível utilizar 33% dos pulmões doados, um valor, ainda assim, superior à média europeia.
O Hospital de Santa Marta é o único hospital português que desde 2001 realiza esta operação. Quase 20 anos depois de ter sido realizado o primeiro transplante pulmonar em Portugal, o país assume um lugar de destaque no domínio da técnica, uma realidade que Ricardo Pires atribui à aposta na formação dos profissionais. “Nestes 20 anos notou-se uma evolução tanto a nível técnico como de pessoal. Principalmente através da reorganização da equipa em 2007, a consolidação das técnicas utilizadas evidenciou uma melhoria sustentada de resultados”, refere.
Conforme relata ao My Pneumologia o representante da ATPP, a transplantação pulmonar está indicada para doentes com doença pulmonar crónica terminal que estejam sob terapêutica médica otimizada, para as quais não exista outra alternativa e que não apresentem contraindicações. Em Portugal, os dados disponíveis mostram que a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) é a patologia que mais conduz os médicos a optarem pelo transplante, representando 42% do total de cirurgias, seguindo-se a pneumonia intersticial descamativa e a fibrose quística.
Um dos principais desafios que se apresenta ao Hospital de Santa Marta, enquanto centro de referência de transplantação pulmonar, é a falta de órgãos. “Temos mais dificuldade em dadores mais pequenos e vão ser estes os doentes que vão estar mais tempo em lista de espera”, salientou a Dr.ª Luísa Semedo, aquando da realização do 30.º transplante. Para combater a lista de espera que atualmente já conta com 50 doentes, Ricardo Pires sugere que uma das soluções poderá passar pelo auxílio das novas tecnologias, “nomeadamente um novo equipamento (Ex-Vivo) que permite manter os pulmões doados em condições para transplante durante mais tempo”.
Do ponto de vista do doente, a cirurgia também implica cuidados. “O doente candidato a transplante deve seguir sempre as indicações da equipa de transplante, pois pode ser chamado a qualquer instante e tem de estar apto para a cirurgia”, explica o especialista. Após o transplante, e depois de um período de reabilitação respiratória, as alterações no estilo de vida não são significativas.
Associação de Transplantados Pulmonares de Portugal: empenho e motivação para o segundo ano de vida
Fundada em março deste ano, a ATPP foi oficialmente apresentada no passado mês de outubro. “A criação da ATPP assenta em três grandes pilares de ação: estimular, apoiar e promover ações de autoajuda que visem a partilha de experiências e troca de informação entre transplantados e candidatos ao transplante pulmonar”, começa por explicar Ricardo Pires, também transplantado em janeiro de 2013. Oferecer apoio e orientação aos doentes e às famílias, tendo como principal objetivo ajudar na melhoria da qualidade de vida, antes e depois do transplante são, assim, os desígnios da Associação.
Para cumprir os objetivos a que se propõe a ATPP já estabeleceu protocolos com a Fundação Calouste Gulbenkian, com a Linde AIR Care Centre - Centro de Reabilitação Respiratória, “de modo a que todos os associados possam beneficiar das vantagens da reabilitação respiratória no processo fora do âmbito hospitalar” e com a sociedade Carlos Pinto de Abreu e Associados - Sociedade de Advogados RL, “que presta apoio jurídico à Associação”.
Quanto às atividades previstas para 2018, Ricardo Pires avança com a criação de um banco de equipamentos técnicos que será responsável pelo fornecimento de equipamentos que proporcionem uma melhor qualidade de vida e bem-estar aos associados; e a realização de um roadshow informativo pelas capitais de distrito, entre outras.
De olhos postos no futuro, o presidente da ATPP garante que, “sendo o Hospital de Santa Marta o único centro de referência em Portugal habilitado a realizar este tipo de cirurgia, a melhoria das condições infraestruturas, o reforço da equipa atual e o investimento em equipamento de preservação pulmonar, elevaria seguramente o número de transplantes pulmonares, para valores superiores aos de 2017”.
Leia a entrevista aqui: http://www.mypneumologia.pt/entrevistas/645-transplanta%C3%A7%C3%A3o-pulmonar-uma-hist%C3%B3ria-de-sucesso-que-conhece-a-sua-primeira-associa%C3%A7%C3%A3o.html

 

Fonte Texto e Imagem: News Farma

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