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03/10/2017| Portugueses desvendam novas pistas sobre a origem dos défices cognitivos na doença de Parkinson

Trata-se de um estudo que desvendou um intermediário importante no percurso de uma proteína tóxica até ao interior dos neurónios, provando também que é possível travar este processo e impedir os danos cognitivos usando uma molécula “prima” da cafeína.

“Apesar de James Parkinson e muitos outros neurologistas que se seguiram terem reconhecido a doença de Parkinson, essencialmente pela sua componente motora, sabemos que há muitos outros circuitos neuronais e funções que também são afetados pela doença”, começa por explicar à News Farma o professor da Universidade de Goettingen. São exemplos disso a perda do olfato, problemas de sono, disfunções do sistema nervoso autónomo e também defeitos cognitivos como a perda de memória, “que é comum a uma percentagem significativa de doentes de Parkinson numa fase mais avançada da doença”, acrescenta.

No ano em que se assinalam os 20 anos de associação entre a proteína alfa- sinucleína à doença de Parkinson, os dois investigadores procuraram perceber de que forma é que esta proteína é reconhecida no cérebro. No entanto, esta não foi a primeira vez se dedicaram ao estudo da alfa- sinucleína. “Já publicámos dois outros artigos sobre este assunto”, revela a investigadora do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa. Num deles, os investigadores procuravam perceber o efeito da proteína na comunicação neuronal e, num segundo, focaram-se na hipótese de fármacos associados à cafeína poderem interferir na agregação destas proteínas tóxicas.

Conforme explica o Prof. Doutor Tiago Outeiro, a alfa-sinucleína é “o principal componente dos corpos de Lewy, aglomerados proteicos que se acumulam no cérebro dos doentes com esta patologia” e que, segundo uma hipótese ainda em estudo, estabelecem uma relação com o evoluir da doença, ou seja, os corpos de Lewy vão-se espalhando no cérebro à medida que a doença progride. “Partindo da ideia de que a sinucleína se espalha no cérebro, aquilo que procurámos saber foi qual o sensor que a reconhecia na sua forma tóxica”, refere a investigadora. Até porque, acrescenta o outro coordenador do estudo, “os tratamentos existentes atualmente tratam apenas os sintomas motores, existindo efetivamente uma necessidade de tentar tratar outros sintomas não motores também debilitantes para os doentes”.

Leia a entrevista completa aqui: http://www.newsfarma.pt/noticias/5766-portugueses-desvendam-novas-pistas-sobre-a-origem-dos-d%C3%A9fices-cognitivos-na-doen%C3%A7a-de-parkinson.html

 

Fonte Texto e Imagem: News Farma

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