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27/09/2017| “Não se zangue comigo; zangue-se com o cigarro!”

Questionada sobre a persistência do tabagismo mesmo quando são conhecidos os malefícios do tabaco, a especialista revela: “apesar a maioria dos fumadores estar consciente de que o tabaco é responsável por muitas doenças, acredita que nada lhe acontecerá”.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o consumo de tabaco, na Europa, é responsável por um milhão e 200 mil mortes anuais. Em Portugal, o consumo de tabaco atinge cerca de 20 a 26% da população, o que equivale a quase 2 milhões de fumadores. Estudos feitos demonstram que a forma mais eficaz deixar de fumar, como em qualquer dependência é parar completamente. “É como ‘desligar’ a dependência!”, explica a pneumologista. No entanto, e apesar de serem conhecidas as consequências nefastas que o tabaco acarreta para a Saúde, continua a ser uma prática comum entre os portugueses, com tendência até para aumentar, sobretudo na população feminina.
Confrontada com a dimensão da população fumadora, Paula Rosa atribui parte das responsabilidades a um lado irracional dos fumadores que os faz utilizar expressões como “eu acho que não sou viciado na nicotina”, “eu tenho é vício de boca”, “eu não engulo o fumo”, “eu fumo por prazer”, “eu fumo para estar entretido, para ter companhia”, entre outros exemplos. No entanto alerta: “o fumador tem a liberdade de escolher ser fumador, da mesma forma que qualquer pessoa que tem uma dependência pode escolher manter essa dependência”.
De acordo com a especialista, o primeiro passo para deixar de fumar passa por tomar consciência da dependência. Posteriormente é preciso procurar apoio especializado “para resistir à privação do cigarro, que pode ser muito difícil de suportar”, destaca. “No caso do tabagismo, é encontrar o tratamento adequado para lidar com a síndrome de abstinência tabágica”.
Mais do que incluir fármacos no tratamento, a especialista enfatiza que o importante “é aprender a lidar com a vontade de fumar”. “Com frequência os fumadores tomam um medicamento que alguém lhe indicou ou que compraram na farmácia e dizem que não funcionou. Isto acontece porque o fumador está à espera que o medicamento lhe tire a necessidade e a lembrança de fumar, como num passe de mágica. Mas não é assim que funciona”, explica.
A definição de um prazo, “que deve ser curto”, para abandonar totalmente os cigarro constitui outro passo relevante no caminho da abstinência. “O tratamento dura em média 2 meses; o hábito de fumar, senão for interrompido, dura a vida toda”.
Relativamente ao papel dos profissionais de Saúde, a médica refere que deve ser explicado aos fumadores que precisar do cigarro é diferente de lembrar-se de fumar. “Precisar é ficar ansioso, irritado, com dificuldade de concentração, ter taquicardia ou sensação de mal-estar quando não se pode fumar, lembrar-se é apenas a associação mental do cigarro a certas rotinas do fumador”. “Essa lembrança permanece mesmo depois de parar de fumar e é frequentemente responsável pela recaída nos ex-fumadores”.
E se alguma coisa não correr bem neste processo, a pneumologista deixa um conselho aos fumadores: “Não se zangue comigo; zangue-se com o cigarro!”.
Leia a entrevista aqui: http://www.vitalhealth.pt/entrevistas/5293-%E2%80%9Cn%C3%A3o-se-zangue-comigo-zangue-se-com-o-cigarro-%E2%80%9D.html

 

Fonte Texto e Imagem: News Farma

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